20 anos do tetra

Baggio Taffarel Brasil Itália Copa do Mundo 1994

17 de julho de 1994. Para uma renomada seleção como a brasileira, 24 anos sem conquistar um título mundial é uma eternidade. Some-se a isso o período histórico e econômico instável do início da década de 1990, a perda de um ídolo nacional como Ayrton Senna e as poucas glórias no esporte se resumindo a uma medalha olímpica no vôlei – um esporte ainda não tão popular – e teremos um cenário particularmente hostil quando Carlos Alberto Parreira e seus comandados embarcaram para os Estados Unidos em busca de um troféu que parecia improvável.

Esqueça a figura de Parreira na comissão técnica recém-demitida da CBF. Ignore a intervenção na coletiva que tentava explicar o massacre alemão de 8 de julho para a leitura da carta de Dona Lúcia. O técnico da Seleção Brasileira naquela ocasião era um homem focado na missão de conquistar o título. Para tanto, organizou uma equipe sólida, experiente e concentrada. Os erros detectados na campanha anterior tinham sido diagnosticados e neutralizados. Com o objetivo de suportar as altas temperaturas do verão americano, uma intensa preparação física e treinamentos realizados nos horários das partidas.

Adepto da troca de passes, Parreira desenhou sua Seleção com duas linhas de quatro e dois definidores na frente. Dizia que o time precisaria ter a bola nos pés para se desgastar menos e batia na tecla de que era importante não sofrer o primeiro gol e ter de correr atrás do resultado debaixo de um sol escaldante. No meio-campo, Mauro Silva era o perfeito cão de guarda da defesa, o maior recuperador de bolas da Copa. Mais à frente, Dunga era um guerreiro e, dentro de suas limitações, um construtor. Se faltou algo ao setor, sem dúvida foi a pitada de criatividade tão típica do futebol brasileiro. Com Raí barrado por estar em má fase, Mazinho e Zinho se comportaram como wingers, auxiliando a defesa e participando do toque de bola.

Todavia, a maior esperança brasileira em território norte-americano atendia pelo nome de Romário. O talentosíssimo goleador vivia a melhor fase de sua carreira no Barcelona de Johan Cruyff. No imaginário popular estavam os dois gols que o Baixinho havia marcado diante do Uruguai, no Maracanã, na vitória por 2 a 0 que sacramentou a classificação para a Copa. Ao lado de Bebeto, o “Baixinho” formava uma dupla de ataque capaz de marcar contra qualquer defesa. Todas, menos uma: a Itália de Arrigo Sacchi. Neste momento, o destino da Seleção ficou nas mãos do goleiro Taffarel. Dizem que pênalti é loteria, mas, definitivamente, o tetracampeonato brasileiro, conquistado há exatos 20 anos, não foi um golpe de sorte.

Michel Costa é co-autor do livro “É tetra!”. No Twitter, @a4lMichelCosta

Outras leituras recomendadas:
– O legado da Copa, por Jorge Suminski
– A arte da reconstrução, por Gustavo Carratte
Um a um da Seleção Brasileira na Copa de 2014, por Gustavo Carratte