O sonho continua

Colombia Uruguai James Rodriguez Copa do Mundo 2014 - Luis Acosta AFP Photo

Apontada desde antes da Copa do Mundo como uma das seleções que poderiam surpreender no Brasil, a Colômbia fez jus a tudo o que havia sido dito. Com ótimas opções de diferentes características para o setor ofensivo, a equipe não deixou que a ausência de Falcao García a prejudicasse e, mais do que isso, conseguiu fazer com que James Rodríguez, o seu camisa 10, fosse uma das estrelas da competição. O jovem de 23 anos, no entanto, não foi o único responsável pelo sucesso dos comandados por José Pékerman.

Nos outros setores, há de se destacar os personagens que também tiveram a sua importância, como Mario Yepes, de 38 anos, e Cristián Zapata, integrantes de uma defesa que só sofreu quatro gols em toda a competição. Mais à frente, os volantes Sánchez e Aguilar tornaram possível um estilo de jogo que valorizasse a circulação da bola de um lado para o outro, contando também com a movimentação dos atletas mais avançados e com o avanço constante dos laterais, de enorme poderio ofensivo. Junto aos meias, Cuadrado foi um dos que mais desequilibraram nas partidas, o que, inclusive, despertou o interesse de clubes como Barcelona e Bayern de Munique.

Até então Los Cafeteros nunca haviam ido tão longe em um Mundial – como melhor desempenho, aparece a campanha de 1990, quando chegou às oitavas. E o desempenho impressionante vem desde as Eliminatórias, quando foi abocanhado o segundo lugar, atrás apenas da Argentina de Lionel Messi.

Com a inteligência de José Néstor Pékerman, argentino que não teve muito sucesso na sua carreira como futebolista, mas não poderia ter dado mais certo como técnico, o futebol colombiano evoluiu em proporções animadoras, baseando-se em transições, velocidade e eficiência. Desde 2012, ano em que ele assumiu o comando da seleção, foram usadas estratégias que, sem fazer com que a equipe perdesse a sua essência, eram adaptadas ao adversário. Assim, de forma sedutora, o estilo de jogo conquistou admiradores por todo o mundo.

Uma atuação convincente na estreia contra a Grécia, um duelo duro e decidido pelo talento de James e Cuadrado contra a Costa do Marfim e uma goleada diante do Japão garantiram 100% de aproveitamento dos nove pontos disputados na fase de grupos, além de nove gols marcados e apenas dois sofridos. Na fase seguinte, com as mesmas credenciais que lhe deram o protagonismo do Grupo C, a Colômbia amassou o Uruguai, com dois gols de James Rodríguez, que naquele instante, para boa parcela da crítica esportiva, havia beliscado o posto de craque do torneio.

A eliminação nas quartas, diante do Brasil, não abalou os torcedores colombianos. A seleção foi recebida por milhares de torcedores em Bogotá, com direito a passeio em carro aberto pelas ruas da capital. Por mais que o sonho de eliminar os donos da casa e chegar às semifinais não tenha se tornado realidade, muitos outros foram alcançados – o maior deles, inclusive, que era plantar a esperança dentro de milhões de torcedores. No final das contas, o sentimento era de missão cumprida. E o sonho continua.

Gabriela Tomaseto é estudante. No Twitter, @gabytomaseto_

Foto: Luis Acosta/AFP

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