Febre de bola

Febre de Bola - Nick Hornby

Normalmente, a primeira reação de um fanático por futebol ao término da leitura de “Febre de Bola” é “como pude passar tanto tempo sem ler esse livro?”. Lançado originalmente em 1992, a obra do britânico Nick Hornby certamente está entre os maiores clássicos do tema. Todavia, ao contrário do que se pode imaginar, suas 250 páginas não trazem análises profundas sobre futebol ou um paralelismo simples entre a vida do escritor e seu time de coração, o Arsenal. É algo diferente. E, de certo modo, muito maior.

No livro, Hornby mergulha em seu próprio passado e traz à tona todo o seu fanatismo pelo clube londrino e, em consequência, também provoca o despertar do louco por futebol que existe em cada um de nós. Mesmo quando se está separado pela diferença de idade ou pela distância cultural e geográfica, são muitas as ocasiões em que o leitor se verá em situações semelhantes àquelas que o autor viveu.

Assim como o inglês, o torcedor brasileiro se vê triste numa derrota como se ela fosse um fracasso particular. Também não são poucas as segundas-feiras em que tudo parece cinza porque seu time perdeu no fim de semana. Assim como não foram raras as ocasiões em que nos sentimos donos do mundo apenas porque nosso capitão ergueu uma taça de Estadual.

Contudo, essa paixão nunca ofuscou o olhar crítico de Nick em relação ao futebol. Acompanhando de perto os anos mais sombrios da liga inglesa, não só constatou o crescimento do fenômeno do hooliganismo como pressentiu tragédias como a de Hillsborough bem antes de acontecerem. Tempos depois, em uma introdução atualizada, observou que o glamour daquele que é hoje o maior campeonato do mundo infelizmente encobre algumas mazelas.

“Febre de Bola” é exatamente isso. É uma declaração de como é possível amar um esporte, mesmo sem perder a capacidade de discernimento. É se sentir parte de algo maior sem se importar em ser apenas mais um. É viver uma paixão ignorando o sentimento que virá depois. Afinal, independente das cores que adotamos, somos todos mais parecidos do que podemos imaginar.

Michel Costa é fanático por futebol em nível não recomendável. No Twitter, @a4lMichelCosta

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