Seleção do Brasileirão 2014

Sel Brasileirão 2014

Marcelo Grohe (GRE) – Depois de um fabuloso Brasileirão 2012, quando só não foi melhor do que Diego Cavalieri, o ícone da defesa menos vazada deste ano recebeu uma recompensa pra lá de dispensável: a concorrência de Dida no elenco gremista. O episódio de 2013, no entanto, não foi o baque que à época parecia ter sido. Com dedicação – além de olhos e ouvidos atentos ao lendário companheiro -, Grohe evoluiu. E foi o melhor camisa 1 de todo o campeonato, embora tenha sido obrigado a se acostumar com críticas da imprensa local.

Mayke (CRU) – Opção mais do que perigosa pela lateral direita cruzeirense, foi a grande válvula de escape do time bicampeão brasileiro em 2014. Titular na maior parte do tempo, apesar da concorrência do experiente Ceará, ainda transformou-se no segundo jogador que mais deu passes para gol em sua equipe – atrás apenas de Éverton Ribeiro, que, com 11 assistências, foi também o líder da competição neste quesito.

Dedé (CRU) – Melhor do que esteve em 2013, o ex-vascaíno foi peça importante para o título celeste. Jogou em menor quantidade do que o companheiro Léo, alternando-se com Bruno Rodrigo e Manoel devido a lesões, mas obteve um desempenho melhor nas 21 vezes em que entrou em campo. Em aventuras no campo de ataque, ainda conseguiu balançar as redes adversárias em duas ocasiões.

Gil (COR) – Embora bem abaixo de seu nível normal, soube controlar bem a responsabilidade de ser o homem mais importante do segundo melhor sistema defensivo da competição, com apenas 31 gols sofridos. Como novidade, mostrou-se capaz também em jogadas de bola parada ofensivas, com um total de quatro gols. Em 2013, não havia marcado nenhuma vez.

Zé Roberto (GRE) – Aos 40 anos, precisou olhar para a parte inicial de sua carreira para encontrar os atalhos da posição em que melhor se encaixou no Grêmio de Felipão: a lateral esquerda. De certa maneira, abriu mão de seu protagonismo para que, com a mesma eficiência, pudesse ser importante para a equipe em outros aspectos. Nos desarmes, por exemplo, só não foi mais eficaz do que Ramiro e Pará.

Lucas Silva (CRU) – Com presença constante de uma intermediária à outra, apresenta-se como um dos mais qualificados meio-campistas do futebol brasileiro. Aos 21 anos, talvez já seja o grande responsável tanto pelo dinamismo do Cruzeiro nos momentos de transição quanto pela sobriedade que o campeão brasileiro demonstra ter quando uma partida exige mais paciência de quem tem o domínio das ações. Se seguir neste ritmo de evolução, tem todas as condições de ser um dos 23 atletas a representar o Brasil na Copa de 2018.

Ganso (SPO) – Movimentação para comandar a troca de passes são-paulina, dedicação na hora de colaborar com o sistema defensivo e, para a alegria de Muricy Ramalho, mais aparições dentro da área adversária do que o normal, chegando a marcar cinco gols no Brasileirão. Deslocado à faixa direita do campo, onde a marcação é menos frequente e pesada, resgatou algo de seu melhor nível – se não como em 2010, em seu auge, pelo menos como no primeiro semestre de 2012, quando ajudou Neymar a levar o Santos ao tricampeonato paulista e às semifinais da Libertadores.

Éverton Ribeiro (CRU) – Menos decisivo do que na edição anterior, moldou-se ao cenário estabelecido com a chegada do centroavante Marcelo Moreno – pouco técnico, mas de boa presença física e, o mais importante, eficiente em suas tarefas. Na organização, foi quem mais driblou em sua equipe e quem mais deu passes para gol em todo o campeonato. Embora não mereça o prêmio de principal jogador do torneio, concedido a ele pela CBF, tem lugar garantido entre os melhores.

Ricardo Goulart (CRU) – Melhor jogador na edição 2014 do Brasileirão, foi ainda mais participativo e eficaz do que na primeira conquista nacional. Autor de 15 gols, o que lhe fez ficar a três do artilheiro Fred, foi também o salvador em algumas das partidas em que a vitória valeu mais do que os três pontos conquistados. Não à toa, a exemplo de Éverton Ribeiro, recebeu a sua oportunidade na Seleção Brasileira.

Guerrero (COR) – Referência técnica, física e psicológica do Corinthians, foi a base para o planejamento tático de Mano Menezes nesta temporada, marcada por uma oscilação mais acentuada do que o esperado. Com o decorrer da competição, encontrou o seu habitat ideal nas frequentes caídas pelo lado esquerdo, desvencilhando-se da marcação pela faixa central e, assim, ganhando o vigor ofensivo que o restante de seus companheiros nem sempre foram capazes de lhe proporcionar. No total, marcou 12 gols.

Diego Tardelli (CAM) – Com experiência, amplo repertório de dribles e sem medo de arriscar nas finalizações, o homem que fez dez gols e comandou o Atlético Mineiro durante o ano foi um dos grandes destaques do Brasileirão. Apesar de às vezes parecer uma marcha abaixo de seu potencial, é o único remanescente do ataque que, ao lado de Ronaldinho, Bernard e Jô, venceu a Libertadores de 2013. Nas primeiras convocações de Dunga para a Seleção Brasileira, também tem sido uma das figurinhas carimbadas.

Técnico: Marcelo Oliveira (CRU) – Não é o comandante de um esquadrão imbatível, mas é incrivelmente capaz de administrar com critério as ótimas opções que estão à sua disposição. Com um estilo de jogo consagrado por meio da velocidade, da intensidade física e do bom trato com a bola, é mais do que merecedor da supremacia que conquistou no futebol brasileiro. Neste ano, com 80 pontos, ainda bateu o recorde de pontuação em uma edição de Campeonato Brasileiro – até então, o dono desta marca era o São Paulo de 2006, com 78.

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Menções honrosas:

Goleiros: Fábio (CRU), Jefferson (BOT), Tiago Volpi (FIG), Paulo Victor (FLA) e Renan (GOI)
Zagueiros: Leonardo Silva (CAM), Rafael Toloi (SPO), Rhodolfo (GRE), Jemerson (CAM) e Léo (CRU)
Laterais: Marcos Rocha (CAM), Egídio (CRU), Patric (SPT), Fabiano (CHA) e Fabrício (INT)
Volantes: Aránguiz (INT), Souza (SPO), Arouca (SAN), Alex (INT) e Jean (FLU)
Meias: Conca (FLU), D’Alessandro (INT), Kaká (SPO), Lucas Lima (SAN) e Alex (CTB)
Atacantes: Marcelo Moreno (CRU), Erik (GOI), Dudu (GRE), Fred (FLU) e Alan Kardec (SPO)

Técnicos: Vanderlei Luxemburgo (FLA), Muricy Ramalho (SPO), Argel Fucks (FIG), Cristóvão Borges (FLU) e Mano Menezes (COR)