A palavra é paciência

Oswaldo de Oliveira Palmeiras - Cesar Greco Agência Palmeiras

A vitória corinthiana no primeiro dérbi do Allianz Parque – materializada graças à infelicidade de um zagueiro que, se repetir o que fez no América Mineiro, tem todas as credenciais para colaborar com um 2015 palmeirense muito mais competitivo e confiável do que foi 2014 – ganhou contornos que não lhe cabiam. Não existe um argumento sequer capaz de classificar um revés a esta altura da temporada como prejudicial para a formação de uma equipe que ainda engatinha.

Se é a segunda derrota, e de novo em casa, importa pouco. Ou pelo menos deveria importar pouco, pois depositar nas costas de um treinador em início de trabalho uma expectativa desmedida, criada por um mundo futebolístico nada interessado em estabelecer parâmetros razoáveis para as suas análises, pode ser qualquer coisa, menos algo justo. Como disse o próprio, se essa expectativa não for controlada, ela se vira contra quem a recebe.

Em camadas mais profundas do que a ampla reformulação do plantel alviverde, está a ideia que domina os pensamentos de Oswaldo de Oliveira. Deixadas de lado as peculiaridades de cada clube, um traço marcante em suas equipes é a busca pelo controle da bola. Essa característica pode não ser sinônimo de sucesso, já que assim os obstáculos crescem de tamanho, mas diz muito a respeito da grandeza dos métodos que são escolhidos para alcançá-lo. Sem as rédeas da partida, o gosto do triunfo não é o mesmo.

Exceção feita à meteórica passagem de Gareca, entre maio e setembro de 2014, o mais recente exemplo de estilo semelhante só poderá ser pinçado em 2009 – com um time que, antes da chegada de Muricy Ramalho, foi protagonista nas mãos de Luxemburgo e Jorginho. De lá para cá, neste quesito, não foram raros os momentos em que o Palmeiras se aproximou dramaticamente da mais perfeita representação da impotência. E esse diagnóstico não perde força com o título da Copa do Brasil de 2012, pois o que está em questão é a maneira como tais êxitos são alcançados.

Um olhar mais crítico é o bastante para perceber que a receita de 2015 é muito diferente das anteriores, apesar da traiçoeira obviedade que é dizer que a chegada de quase duas dezenas de atletas repete a sina das últimas temporadas e complica a acomodação das peças em uma fase inicial. A maioria dos reforços faz jus à alcunha, e quase todos possuem justificativas técnicas e táticas para a sua existência. Foram contratações certeiras, daquelas de quem sabe o que faz.

Por ora, trata-se de um esquadrão que ainda sofre quando precisa se posicionar em campo, ter o total domínio da posse de bola e encontrar espaços em defesas fechadas. Mas essa deficiência é momentânea. Ainda à espera de alguns nomes importantes, como Valdivia, Cleiton Xavier e Arouca, o comandante terá um time à sua feição, com repertório técnico, dedicação tática e juventude.

O ciclo iniciado pela equipe palmeirense após a última rodada do Brasileirão de 2014, no empate em casa contra o Atlético Paranaense, não tem absolutamente nada a ver com o que existiu até então. Quatro concorrentes fizeram questão de cair em seu lugar, e assim o Palmeiras ganhou uma preciosa oportunidade para recomeçar. Pela terceira vez. E, desta, ainda no andar de cima.

Com os acertos da diretoria nas escolhas de Alexandre Mattos, Oswaldo e novos jogadores, não é difícil vislumbrar um futuro promissor. Restam poucas dúvidas de que Paulo Nobre e companhia trabalham com todas as suas forças para que 2015 seja um divisor de águas na história recente do clube. Quem está do lado de fora, porém, também precisa entender o cenário atual. Para que a ideia ganhe maturação, os ingredientes restantes são tempo e compreensão. A palavra é paciência.

Gustavo Carratte, jornalista, é idealizador do Conexão Fut. No Twitter, @GuCarratte

Foto: Cesar Greco/Agência Palmeiras