De volta para o passado

Eurico Miranda Vasco - Daniel Ramalho - Agif - Folhapress

O torcedor vascaíno do final dos anos 90, que se acostumou a levantar taças e colocar faixas no peito, nem imaginava o que lhe esperava no Século 21. Se Marty McFly fosse cruzmaltino, certamente ficaria bem mais feliz caso o DeLorean parasse em 1997 ou 98. Mas, ao contrário do protagonista do filme “De volta para o futuro”, o desejo do Vasco da Gama em pleno 2015 é reviver as glórias do passado.

Nas tentativas de montar um time forte, voltaram à tona as retrógradas artimanhas de Eurico Miranda, vencedor das eleições de novembro de 2014 com mais votos do que a soma de seus dois concorrentes mais próximos. E o novo-velho presidente chegou arrumando briga com todos, o que deixa claro que o seu estilo administrativo continua o mesmo – isto é, voltado para o umbigo de quem dá as cartas.

Saudosos das vitórias do passado, os mais fanáticos podem até pensar que, com Eurico, a nau cruzmaltina sempre esteve no rumo certo. Mas foi exatamente sob o seu comando que os problemas estruturais do clube começaram a apertar, até desaguar no rebaixamento de 2008, já com Roberto Dinamite na presidência.

Dentro de campo, por enquanto, as coisas estão relativamente bem controladas. O campeonato estadual não pode servir de parâmetro para o restante da temporada, mas a campanha é satisfatória. O time está longe de ser dos sonhos, mas possui alguns bons nomes – com parte deles, inclusive, custando pouquíssimo aos fadigados bolsos vascaínos. O técnico Doriva não é uma garantia de sucesso, mas já demonstrou que os seus trabalhos recentes não deram certo por acaso.

A questão, porém, é que os resultados só serão duradouros se as práticas administrativas forem outras. Eurico Miranda é uma bomba que pode explodir a qualquer momento, e seus estilhaços tendem a ser prejudiciais não só ao Vasco, mas também ao movimento – ainda tímido – que parece existir no futebol nacional, em busca da modernização, do planejamento a longo prazo, do fim do desperdício financeiro.

É fundamental que o clube resgate o ânimo de sua torcida, volte a montar elencos competitivos e torne mais frequentes as conquistas que, nos últimos anos, foram esporádicas, quase acidentais. No entanto, mais do que isso, é preciso deixar de lado a máquina do tempo de Doctor Brown. Para que o futuro seja próspero, o Vasco da Gama precisa começar a viver o presente.

Rafael Miguel é jornalista. No Twitter, @rafaelmigguel

Foto: Daniel Ramalho/Folhapress